"O Doido e a Morte"

Actualizado em Segunda, 31 Maio 2010 22:47

O Doido e a MorteNo dia 19 de Maio, o Grupo de Teatro da Miguel Torga estreou-se numa acção dramática arrojada: pôs em palco Raul Brandão, com "O Doido e a Morte", e Max Aub, através de depoimentos trágicos e absurdos de cidadãos, aparentemente comuns, que apresentam o seu testemunho de situações limite que os levaram a cometer assassinatos.

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De São e de Louco...

Actualizado em Terça, 23 Março 2010 23:35

“De São e de Louco…”

a partir de “O Doido e a Morte”, de Raul Brandão e de “Crimes Exemplares”, de Max Aub

 
“De São e de Louco…”joga com dois textos que, a nosso ver, podem coexistir harmonicamente em palco: de Raul Brandão, “O Doido e a Morte” e de Max Aub, “Crimes Exemplares”.

Num contexto marcado pela degradação da vida social e política da I República, "O Doido e a Morte" contrapõe à vacuidade ridícula do Governador Civil a crítica da mediocridade e da decadência, através do discurso lúcido e pleno de consciência trágica da Vida produzido pelo alucinado Senhor Milhões, (aqui a Senhora Ana Milhões).

Espanhol por decisão própria, Max Aub (1903-1972) neste volume de «confissões espontâneas», supostamente recolhidas em Espanha, França e México (onde viveu, exilado, as três últimas décadas de vida), coloca-se no lugar do antropólogo que regista variações de um gesto humano – neste caso, o acto de matar o seu semelhante pelos motivos mais fúteis –, devolvendo-o intacto, sem quaisquer melhoramentos (explicação dada para «a sua banalidade»).

Sacudimos, por momentos, a comicidade e dirigimo-nos para o lado mais absurdo do ser humano. Neste universo, até os mais ínfimos pecadilhos merecem o castigo máximo. Qualquer pretexto é bom para transformar o outro em vítima; o que, se descontarmos os exageros e a violência cega, não anda assim tão longe de corresponder ao que os seres humanos à nossa volta fazem (ou, pelo menos, pensam). Percebe-se que o atingir de uma situação-limite é algo que pode facilmente ocorrer nos tempos frenéticos de hoje, propícios a múltiplas dissonâncias psicológicas.

Dois “andamentos” em palco com a loucura a emergir de forma explícita no primeiro e a nível subconsciente no segundo, sugerida pela atmosfera etérea criada em palco.

Foram seleccionadas as situações de cariz mais soft, atendendo ao público juvenil a que se destina o espectáculo. Os actores (alunos, funcionários e professores) vestem a pele do cidadão comum que, a propósito de situações comezinhas, reagem com ímpetos homicidas, experienciando catárticos e singulares momentos.

 

DIRECÇÃO / ENCENAÇÃO:

Lia Montanha e José Alberto Alves

INTERPRETAÇÃO

 
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